Brasiliana MASP - Moderna contemporânea

De 04 de outubro de 2006



Exposição Brasiliana MASP
Realização MASP
Curadoria MASP
Local Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - MASP
Av. Paulista, 1578 Tel: (11) 3251-5644
Estacionamento Garagem Trianon – Pça. Alexandre Gusmão
Progress Park – Avenida Paulista, 1636
Abertura Dia 03 de outubro, 3ª feira, às 19h – só para convidados
Período de 04 de outubro de 2006
Horário Terça a domingo 11h00 às 18h00
bilheteria fecha com uma hora de antecedência
Nº de obras 80
Ingresso R$ 15,00 e R$ 7,00 estudantes (UNE, UMES) - Clube Folha:
R$ 7,00 - Clube do Assinante do Estadão: R$ 7,00 - Grátis:
até 10 anos/maiores de 60 anos / Escolas Públicas agendadas
Dia Gratuito Todas as terças-feiras entrada gratuita
Serviço Educativo Agendamento de grupos (escolas e outros) 2ª a 6ª das 9h00
às 17h00 (11) 3283-2585
Ass. Imprensa MASP - Roberto ou Ana Paula - fone 32881819, 3251-5644 ramal 2107
(comunicacao@masp.art.br, atendimento@masp.art.br )



BRASILIANA
Moderna Contemporânea

ARTE COMO CRÍTICA DE ARTE
A arte feita no Brasil ao longo das dez últimas décadas está representada na coleção MASP em seus três grandes modelos críticos: o icônico (ou figurativo), o informe e o geométrico. São modelos críticos porque com eles o artista não apenas representa e critica a vida e o mundo com as lentes que julga apropriada como faz a crítica de algum modelo estético anterior ou paralelo ao seu. Essa larga critica da arte, talvez a mais radical que possa haver (mesmo sem a comodidade da palavra escrita ou exatamente por isso), é visível na obra de datação mais remota na exposição, 1915, e prossegue ao longo do tempo para desembocar num quarto grupo, mais recente e ainda em construção, que comenta, desconstrói e refaz os anteriores, abrindo-se em múltiplas perspectivas. Reunidos esses modelos propõem uma carta de navegação (por vezes uma navegação à vista, de resto apropriada a este campo) pelos cenários da arte mais contemporânea. Na imagem de conjunto desta constante batalha pelo gosto, o panorama aqui montado abre espaço para a fruição individual de obras singulares que se afirmam por si sejam quais forem os contextos em que se apresentem.

CRÍTICA PELO GEOMÉTRICO

O crítica pelo geométrico começou a impor-se no Brasil a partir da I Bienal de São Paulo, 1951, cujo grande impacto foi dado pela Unidade tripartida, um tridimensional de Max Bill hoje no MAC-USP. A pura visualidade, princípio central da tendência, obtinha-se com dois únicos elementos: planos e cores. Vários destes artistas atuavam na área do desenho industrial, da comunicação visual e da publicidadeÝ e empenhavam-se em gerar uma nova imagem do e para o mundo moderno, tributária em larga medida das propostas da Bauhaus.
Paralelamente à proposta geométrica, desenvolvia-se a da abstração de cunho informe, denominada na Europa de art informel e nos EUA de expressionismo abstrato (do qual Jackson Pollock foi expoente). No Brasil, artistas de ascendência japonesa representaram papel de destaque na propagação desta estética, vista por seus adversários como aberta ao irracional e ao impulsivo. Se o cálculo é próprio da arte geométrica, o gesto (relativamente) livre marca esta corrente.
Conceitual é um termo adequado para designar (embora não de modo exclusivo) aquilo queÝ constitui a razão de ser das obras deste quarto grupo. O que importa aqui,Ý e agora,Ý não é tantoÝ a materialidade da obra mas a idéia que lhe dá origem. Não mais está em jogo nem a questão da beleza, como ainda no geometrismo, nem a do feio, que orientou boa parte do modernismo.

A CRÍTICA PELO ICÔNICO
Este primeiro grupo inicia-se com uma obra emblemática do modernismo, A estudante, de Anita Malfatti, 1915, que apresenta sua crítica à arte anterior, vista pelos novos artistas como acadêmica, bem comportada e ingênua em seu realismo e sua pretensão fotográfica ou, simplesmente, arcaicos. Propõe-se, em seguida, uma comparação entre os diferentes modos pelo quais a figura - humana, da natureza ou do cenário urbano - foi interpretada e criticada desde então. A temática icônica trata do objeto representado por meio de uma ou algumas de suas qualidades diretamente reconhecíveis: os traços de um rosto, as formas gerais de um corpo, o perfil de uma cidade, a cor da pele. Posto lado a lado, o moderno e o pós-moderno (por vezes uma versão tardia do moderno, sem que esse termo implique um juízo de valor) conversam por mais de uma via. O informe não era o único recurso para uma nova arte. Uma alternativa residia em seu exato oposto: a forma definida, excessivamente definida - clara, precisa, simples, controlada, modulada, seriada, passível de ser reproduzida tal qual infinitas vezes - fornecida pelo cálculo geométrico. Não mais uma arte enganosa, que se deixa ofuscar pelo efeito de superfície das coisas (como a icônica); tampouco a arte do caos, da desrazão, da irracionalidade que era a do informe, do abstrato informal: no lugar de uma e outra, a arte da razão controlada, racional e agradável ao mesmo tempo. Uma arte que também operaria com a essência, como a informal – mas com uma outra essência, a do espírito ordenado, não a da afetividade liberada. Arte capaz de ser entendida universalmente, uma vez que o princípio geométrico é a medida da Terra, das coisas. No Brasil, esse princípio alimentou o concretismo e, pouco menos, o neoconcretismo. E Brasília. Uma arte contra a negação e a desordem que cercam tudo que é humano. Uma arte otimista, para tempos otimistas.

A CRÍTICA PELA GEOMETRIA
No lugar da forma, a antiforma de Avatar de Moraes. O ícone é recoberto pela palavra (Série Sumaré, Alex Flemming), a instalação (Adoração, Nelson Leirner) toma o lugar da obra. Estas novas artes (porque não há mais arte no singular, apenas no plural) não se preocupam mais em cair nas graçaas de seus observadores, nem mais querem chocá-los; tampouco pretendem diminuir a distância entre elas mesmas e a confusão e contradição do mundo e da vida contemporâneos. Não pretendem, portanto, diminuir a distância entre seu público e a intelecção do mundo e da vida. Tudo está por ser feito, cada um que faça o seu.

DESCONSTRUÇÃO PELO INFORME

Georges Bataille entendeu o informe, já em 1929, como um processo de desclassificação
da arte, de anulação das classes em que tradicionalmente se dividia a arte. Os gêneros artísticos (retrato, paisagem, natureza morta, marinha...), depois do informe, não mais podiam ser reconhecidos e deixavam de existir, porque a forma estável era abolida. Nada mais havia fora da obra de arte que guiasse o artista no processo de elaborá-la e o observador, no ato de apreendê-la. O significado da obra de arte residiria em seu interior; não mais havia, fora da obra, uma referência, padrão ou baliza que permitisse apreciá-la. A figura humana, em particular, era sacada de seu lugar central no imaginário da arte e ao lado dela, freqüentemente no lugar dela, qualquer outra coisa poderia aparecer: um rabisco, uma mancha difusa, um pedaço de papel rasgado – num segundo momento, uma tira de borracha, um pedaço de madeira, um fio de arame. No lugar da figura icônica, a abstração. Os materiais da arte (a tinta, a tela, o ferro, a pedra) não eram apenas mais importantes que a narrativa feita pelo figurativismo: era a única coisa que deveria existir para a arte.

E DEPOIS
Depois, o princípio da desclassifição – a abolição de todas as fronteiras entre um meio e outro, um material e outro, um tema e outro, uma linguagem e outra —tornou-se dominante e libertou-se mesmo da ascendência do informe. Tudo vale, lema da arte a partir da segunda metade dos anos 60 e que, sob vários aspectos, se diz pós-moderna. A arte não se identificava mais com a tela plana, nem a escultura constituía um gênero privilegiado: no lugar de uma e outra, o objeto. E ao lado do objeto, como a garrafa de León Ferrari, o não-objeto de Luiz Hermano.


ARTISTAS

- Alex Flemming
- Alex Vallauri
- Amelia Toledo
- Anita Malfatti
- Arcangelo Ianelli
- Boi
- Daniel Senise
- Darcy Penteado
- Di Cavalcanti
- Dudi Maia Rosa
- Ernesto de Fiori
- Flávio de Carvalho
- Geraldo de Barros
- Guignard
- Hercules Barsotti
- Humberto Spindola
- Lasar Segall
- Leda Catunda
- Leon Ferrari
- Luiz Hermano
- Macaparana
- Manabu Mabe
- Mário Cravo Jr
- Menotti del Picchia
- Nelson Leirner
- Pancetti
- Portinari
- Sérgio Romagnolo
- Siron Franco
- Thomas Ianelli
- Tomie Ohtake
- Vicente do Rego Monteiro
- Volpi
- Wega Nery
- Wesley Duke Lee
- Willys de Castro
- Yolanda Mohalyi.



Estudante


Vestido de noite


Adoração



Paul Cézanne
(1839-1906)

Há cem anos, num outubro, morria Paul Cézanne, um dos iniciadores decisivos da arte moderna. Transformando o Impressionismo em estilo mais elaborado e construído, menos intuitivo, Cézanne foi dos primeiros no processo de abandono da representação tal qual da realidade em favor da figuração de um conceito, uma idéia situada por trás da aparência das coisas. Para Cézanne, não mais interessava ver a vida e o mundo pelo seu envelope exterior mas captá-los em sua essência. Um crítico da época, pensando assim diminuir o artista, anotou que ele pintava apenas "um amontoado de pequenos cubos", visíveis na magnífica Rochedos em L´Estaque. Esses pequenos cubos --que sugeriam uma imagem da estrutura interior do motivo pintado-- estavam mudando os rumos de uma arte que seria em seguida impulsionada por Picasso, Braque, Matisse, Malevitch e tantos outros. Duas das pinturas desta mostra, Rochedos e O grande pinheiro, retornam ao MASP depois de serem destaques da exposição Cézanne na Provence que circulou há pouco nos EUA e França. São obras centrais na produção do artista. O privilégio de tê-las em São Paulo --ao lado de outras duas não menos notáveis, marcantes de outros momentos do artista- é assinalado com o início de um novo programa de exposições de bolso no MASP. A visita a um museu não precisa ser sinônimo de quantidade de obras vistas; a intensidade da experiência estética, centrada em uma ou algumas poucas obras, é tão ou mais gratificante -- e é o objetivo deste programa.





  • Diretoria  | 
  • Administração  | 
  • Fale conosco  | 
  • Mapa do site
  • © 2006 - MASP - Museu de Arte de São Paulo