MASP

A ARTE DO MITO

MASP REABRE O 2º ANDAR E APRESENTA
UM NOVO CONCEITO PARA SUA COLEÇÃO


A partir de 3 de outubro, uma das principais coleções de arte de todo o mundo será mostrada por temas e não mais com a clássica divisão por região geopolítica e períodos. A reestruturação física e conceitual da galeria começa com A arte do mito, exposição com 49 obras que marca o início dos 12 meses de comemorações dos 60 anos do Masp.


Exposição Exposição A Arte do Mito
Realização MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Local MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Av. Paulista, 1578 - Cerqueira César - São Paulo - SP
Estacionamento Garagem Trianon - Pça. Alexandre Gusmão
Progress Park - Avenida Paulista, 1636
Abertura 3 de outubro
Período 12 meses
Horário terça-feira a domingo e feriados, das 11h às 18h; quinta-feira até 20h.
A bilheteria fecha com uma hora de antecedência.
Ingresso R$ 15 (inteira) e R$ 7,00 (estudante), gratuito para menores de 10 anos e maiores de 60 anos.
Dia Gratuito Todas as terças-feiras entrada gratuita até as 18:00 horas
Informações ao público Para informações gerais (11) 3251 5644
Serviço Educativo Agendamento de grupos (escolas e outros) 2ª a 6ª das 9h00 às 17h00 - (11) 3283-2585
Ass. Imprensa Comunique Assessoria de Comunicação
Fones 11 3812 2780 / 3032 2424
Com Annete Morhy, cel 8777 3377
annete@comunique.srv.br



banhista com cão grifon


Michele Roca


Nicolas Poussin - hymenaeus travestido durante um sacrificio a príapo


Eugène Delacroix - o outono - baco encontra ariadne


Claude Monet - a canoa sobre o epte


Rafael - Ressurreição de cristo

O Masp faz 60 anos no dia 02 de outubro e inicia suas atividades culturais para um ano de comemorações. Já no dia 3, quarta-feira, reabre ao público o 2º andar - fechado no início de setembro - e mostra, pela primeira vez, uma nova forma de ver e conhecer seu riquíssimo acervo: a divisão por temas, ao invés da clássica separação por períodos e regiões geopolíticas.

Dividida em quatro temas - A arte do mito, A natureza das coisas, Olhar e ser visto e Arte religiosa - a nova concepção física e conceitual do acervo possibilitará ao publico visitante apreciar obras de períodos distintos, do clássico ao moderno, européias e brasileiras, lado a lado. A arte do mito - primeira das quatro exposições temáticas que vão nortear a partir de agora a apresentação do acervo - tem curadoria de Roberto Magalhães, professor de História da Arte e Museologia da Universidade Internacional de Arte de Florença. Com 49 obras do século XIV aos dias de hoje, a seção terá obras de Renoir, Picasso, Nicolas Poussin, entre grandes nomes. Os mitos de Hércules, Afrodite e muitos outros são abordados em pinturas, desenhos e cerâmicas.

Idealizada pelo Curador do Masp Teixeira Coelho, a nova concepção prevê para ainda este ano a abertura da segunda exposição, A natureza das coisas, com paisagens e naturezas-mortas observadas em épocas distintas. Olhar e ser visto apresenta retratos e auto-retratos e será aberta em fevereiro. Em abril, A Arte Religiosa completa a renovação do 2º andar do Masp com obras-primas da arte do século XIV à contemporaneidade. Das cerca de 7.600 obras do acervo, aproximadamente 250 poderão ser apreciadas neste novo contexto. A nova divisão temática fica em cartaz no mínimo até outubro de 2008.


Diálogo com outros museus

Outra novidade é o início da correspondência do Masp com outros curadores e museus da cidade, que será inaugurada com a apresentação de obras de Thomaz Ianelli (1932-2001) no programa Obra em Contexto, implantado há um ano no Masp. Ianelli está em cartaz na Pinacoteca do Estado até 4 de novembro, com curadoria de Angélica de Moraes, também curadora da mostra de bolso a ser apresentada no Masp a partir de sábado, 29 de setembro. "A idéia é promover, quando possível e sugestivo, a convergência de nosso acervo com o que está acontecendo em outros museus de São Paulo", diz Teixeira Coelho.

Um dos pintores brasileiros que melhor soube usar a cor, daí ser chamado de colorista, Ianelli será mostrado em duas obras: "À Espera do Reencontro", de 1988, e "Pássaros ao Amanhecer", de 1986, do acervo do MASP, apresentadas e analisadas pela crítica cultural. As obras dialogam com "Aquário" (1983), de Jorge Guinle (1947-1987), pertencente também à família artística dos abstratos informais.


PROGRAMAÇÃO 2007-2008
60 ANOS MASP

A. Coleção MASP

Renovação do modo de organização das obras e da museografia da Coleção Permanente

1. A Arte do Mito - Obras da coleção que colocam em cena o tema do mito. Pinturas, desenhos, cerâmica. A partir de 03 de outubro de 2007.
2. A natureza das coisas - Paisagens e naturezas-mortas da coleção, de todas as épocas. A partir do final de novembro de 2007.
3. Olhar e ser visto - Corte transversal na coleção de retratos do MASP. A partir de fevereiro de 2008.
4. Arte Religiosa - As obras-primas da arte do séc. XIV à contemporaneidade. A partir de abril de 2008, concluindo a reorganização.

B. Arte moderna e contemporânea brasileira
Programa com artistas brasileiros reconhecidos.

1. Arte e ousadia - O Brasil na Coleção Sattamini - 90 obras de 10 grandes artistas brasileiros de 1950 a 2000. Em cartaz até 28 de outubro de 2007.
2. Eder Santos: Cuore eletrônico da cidade (videoarte, imagem digital). 1o. semestre de 2008.
3. Ana Tavares: Paisagens perdidas (instalações, técnica variada). 2º semestre de 2008.

C. Internacional

1. Da Bauhaus a (agora!) - Coleção DaimlerChrysler, Alemanha. Arte moderna e contemporânea do mundo todo, da década de 30 aos dias de hoje. Até 28 de outubro de 2007.
2. Desenhos espanhóis do século XX, Fundação Mapfre, Espanha. Grandes nomes da arte espanhola e mundial: Dali, Chilida, Juan Gris, Tapies, Torres Garcia, Picasso, Picabia. Abril 2008.
3. Luis Gordillo e Manolo Quejido. Artistas espanhóis contemporâneos: pinturas, gravuras e desenhos. A partir de maio 2008.
4. Caçadores de sombras: exposição de fotografia contemporânea por artistas jovens espanhóis. A partir de maio de 2008.
5. Paula Modersohn-Becker: 1895-1906. Arte alemã, gravuras e desenhos. Agosto 2008.
6. Exposição de arte caligráfica japonesa Mainichi Shodo, com a presença de artistas reconhecidos no gênero. Agosto/setembro de 2008.
7. Tesouros da Terra Santa - De 3.000 a.C. a 2.000 a.C. Exposição de objetos do período. Museu Nacional de Israel. Agosto de 2008.
8. Primera generacion: arte e imagen en movimiento: 1963-1986. Exposição organizada pelo Centro Reina Sofia, de Madrid. 1o. semestre de 2009.

D. Coleção MASP-Pirelli de fotografia

16a. edição, obras adquiridas ao longo de 2007. Dezembro de 2007

E. Programa Obra em Contexto

Exposições de bolso com obras do acervo mostradas em situação especial, curadoria interna e convidada. Quatro exposições previstas, começando por Thomaz Ianelli, de setembro de 2007 a setembro de 2008.

ARTE DO MITO

Mito, arte, realidade

O mito é o nada que é tudo, diz um verso de Fernando Pessoa em Mensagem. O homem é um animal que se conta histórias, é isso que o diferencia entre as espécies. E o mito é uma das primeiras histórias, das primeiras formas do sentido, que o homem se deu. Jacob Bryant, citado por Edgar A. Poe no famoso conto sobre a carta roubada, escreveu que nos esquecemos de que não acreditamos nas fábulas e continuamos agindo a partir delas como se fossem realidades existentes.

O mito começou a entrar para a realidade primeiro na literatura oral e, depois, por aquilo que se chama arte. Toda a primeira grande arte da humanidade, a chamada arte clássica, depende do mito que, assim, se na arte não é tudo, por certo é muita coisa. E é um gênero que, com a paisagem, a natureza morta e o retrato, orienta a nova exposição permanente do MASP. Um gênero feito de obras na aparência fáceis de entender. Tudo nelas parece familiar. Mas, o que mesmo diz O julgamento de Paris ou o Himeneo de Poussin?

Esta mostra propõe uma reapropriação sensível destas fábulas que continuamos a tratar como realidades. A coleção do MASP é rica neste gênero e iniciar por ele a comemoração de seus 60 anos era uma evidência, em dupla homenagem à arte e àquilo que, diz Pessoa, "sem existir nos bastou / por não ter vindo foi vindo / e nos criou": o mito, essa carta roubada (que nos roubamos) e que no entanto segue à vista - bem oculta.

Teixeira Coelho
Curador-coordenador, MASP


ARTE DO MITO

Por que o mito? Porque o acervo do Masp possui um núcleo de obras com temas mitológicos extraordinário, num conjunto que merece ser revelado e explorado. E porque apresentar obras de técnicas e períodos diferentes com temas afins é uma das formas melhores para se evidenciar estilos individuais, visões originais - condição da existência da própria arte - e especificidades culturais de cada época; para se perceber contrastes e idéias partilhados ao longo dos séculos; para se descobrir que um nu de Manet ou Renoir pode ter mais pontos em comum com a antiguidade do que o simples "clichê" de pintores revolucionários a eles atribuído deixa suspeitar. Uma exposição sobre o mito permite, também, um retorno à nascente da cultura ocidental através das fontes literárias, que ajudam a decifrar as narrativas.

O mito é, portanto, o fio condutor desta exposição, com o seu emaranhado de lendas e símbolos, mas não seu protagonista absoluto. Ao longo dele desenvolvem-se as várias técnicas e linguagens da arte, da musicalidade e ordem em Saraceni e Poussin à atmosfera densa de Delacroix. Apesar de os temas narrativos serem objeto de atenção no material informativo à disposição do público, convém lembrar que o tema por si só não é arte. A arte está no olhar que o artista empresta ao tema. Este é, porém, um passaporte para se entrar na obra, um enigma diante do qual não queremos que o visitante, como os tebanos diante da Esfinge, sucumba.

Roberto Carvalho de Magalhães
Curador


OBRA EM CONTEXTO: Thomaz Ianelli

Thomaz Ianelli (1932-2001) é um dos pintores brasileiros que melhor soube usar a cor, daí ser chamado de colorista. Esse talento ganhou impulso definitivo a partir da metade dos anos 1980, quando intensificou a realização de aquarelas ao ar livre. A técnica da aquarela exige rapidez de percepção e uso certeiro de tonalidades suaves, obtidas com pigmentos diluídos em água. O papel não aceita retoques. A luz dessas obras vem do branco do papel, ou seja, do fundo da composição.

O exercício da aquarela ofereceu lições de pintura que Thomaz transportou para as telas. Embora a tinta seja outra, o artista soube aproximá-la das propriedades da aquarela. Extraiu o óleo (para eliminar o brilho) e tornou-a muito líquida pela adição de terebintina. Acrescentou um pouco de cera para encorpar o pigmento sem dar-lhe muita espessura. Assim, essa tinta-quase-aquarela oferece transparência. Dá passagem à luz, que vem do fundo do quadro através das estrias deixadas pelo pincel. É isso que podemos observar na tela "À Espera do Reencontro", do acervo do MASP.

A pintura de Thomaz pertence à família artística dos abstratos informais, mesmo mantendo sutis referências à figura, como na aquarela "Pássaros ao Amanhecer", também do acervo do MASP. Uma família à qual pertence Jorge Guinle (1947-1987), no registro mais tempestuoso do expressionismo abstrato, de pinceladas energéticas e dramáticas, como se verifica na tela "Aquário", situada na parede ao lado.

Um amplo conjunto de obras de Thomaz Ianelli pode ser visto na exposição individual em cartaz na Pinacoteca do Estado até 04 de novembro. Essa mostra apresenta, em 94 telas e obras sobre papel, o percurso desse grande artista rumo ao informalismo, guiado pelas cores puras do convívio com a natureza nas muitas manhãs ao ar livre.

Angélica de Moraes

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