2ª DAS QUATRO EXPOSIÇÕES TEMÁTICAS DE SEU ACERVO
GÊNEROS CENTRAIS DA ARTE, A PAISAGEM E A NATUREZA-MORTA SÃO O TEMA DAS 70 OBRAS DE A NATUREZA DAS COISAS, EXPOSIÇÃO QUE TRAZ A EXPRESSÃO DE ARTISTAS DA EUROPA E AMÉRICA DESDE O SÉCULO 17 ATÉ OS ANOS 1980. SEGUNDA DE QUATRO MOSTRAS QUE CONTEMPLAM A COLEÇÃO DO MASP SOB NOVO ÂNGULO, A EXPOSIÇÃO É DIVIDIDA EM SETE GRUPOS E PROPÕE UMA REFLEXÃO SOBRE O SENTIDO DAS COISAS NA ARTE E CULTURA OCIDENTAIS.
A PARTIR DE 24 DE ABRIL O MASP - MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO APRESENTA A 2ª EXPOSIÇÃO FRUTO DA REESTRUTURAÇÃO FÍSICA E CONCEITUAL DO MODO DE APRESENTAR SEU ACERVO: A NATUREZA DAS COISAS TERÁ FOCO EM PAISAGENS E NATUREZAS-MORTAS OBSERVADAS EM ÉPOCAS DISTINTAS. COM A INAUGURAÇÃO, O 2º ANDAR GANHA NOVOS ARES E OS CONTORNOS DO QUE SERÁ O NOVO CONJUNTO VISUAL DE UMA DAS MAIS PRECIOSAS COLEÇÕES DO MUNDO.
SERÃO EXPOSTAS 70 OBRAS, PRODUZIDAS ENTRE O SÉCULO XVII E A DÉCADA DE 1980. A MOSTRA, QUE TEM O PATROCÍNIO DA MERCEDES-BENZ DO BRASIL, OCUPARÁ DUAS SALAS DA GALERIA DO 2º ANDAR DO MUSEU E POSSIBILITARÁ AO PUBLICO VISITANTE APRECIAR OBRAS DE PERÍODOS DISTINTOS, DO CLÁSSICO AO MODERNO, EUROPÉIAS E BRASILEIRAS, LADO A LADO.
TRABALHOS DE PABLO PICASSO, VAN GOGH, MATISSE E MONET, ALÉM DE ARTISTAS BRASILEIROS COMO BENEDICTO CALIXTO, CARLOS PRADO, GUIGNARD E ALMEIDA JÚNIOR FAZEM PARTE DO ACERVO QUE SERÁ EXPOSTO EM SETE GRUPOS DISTINTOS - GRANDES PAISAGENS, ARBORESCÊNCIAS, PARQUES E JARDINS, MARINHAS, PAISAGENS URBANAS, INTERIORES E NATUREZAS-MORTAS.
ASSIM COMO NA EXPOSIÇÃO A ARTE DO MITO – PRIMEIRA EXPOSIÇÃO COM LEITURA TEMÁTICA DO ACERVO - O PÚBLICO PODERÁ TER UMA VISÃO COMPREENSIVA COM TEXTOS EXPLICATIVOS SOBRE OBRAS ESPECÍFICAS DA MOSTRA E TAMBÉM SEUS CONJUNTOS.
O CASTELO DE CAERNARVON (1830-35), DE WILLIAM TURNER; ROCHEDOS DE L´ESTAQUE (1882-85) E O GRANDE PINHEIRO (1892-96), DE CÉZANNE; PASSEIO AO CREPÚSCULO (1889-90), DE VAN GOGH, E IGREJA DE TARRASSA (C.1914), DE TORRES-GARCIA, SÃO ALGUMAS DAS OBRAS QUE GANHARAM UMA ABORDAGEM ESPECIAL NA EXPOSIÇÃO.
NOVAS EXPOSIÇÕES
A NOVA CONCEPÇÃO DO ACERVO COMEÇOU A SER APRESENTADA EM 2 DE OUTUBRO PASSADO, INÍCIO DAS COMEMORAÇÕES DE 60 ANOS DO MASP, COM A EXPOSIÇÃO A ARTE DO MITO, PRIMEIRA ENTRE AS QUATRO MOSTRAS TEMÁTICAS PREVISTAS PARA O ACERVO, NO 2º ANDAR. EM JUNHO VIRÁ VIRTUDE E APARÊNCIA (A CAMINHO DO MODERNO) E EM OUTUBRO OLHAR E SER VISTO (A ARTE DO RETRATO), CONCLUINDO A REESTRUTURAÇÃO FÍSICA E CONCEITUAL DA COLEÇÃO.
A NATUREZA DAS COISAS
UMA CADEIRA É UMA COISA. E UMA PEDRA, UMA NUVEM, UMA FOLHA. O MUNDO TODO É UMA COISA, ESCREVEU KANT. TUDO QUE EXISTE É UMA COISA. TUDO MENOS, PARA ALGUMA FILOSOFIA E EM MUITA PINTURA, A FIGURA HUMANA, UMA INTERRUPÇÃO NESSE LARGO CONTÍNUO QUE É O MUNDO DAS COISAS.
MAS EM PINTURA HÁ UM GÊNERO EM QUE COISAS E HOMENS SE TORNAM UMA UNIDADE: A PAISAGEM. A PARTIR DO SÉCULO 18, A NASCENTE CIÊNCIA MODERNA ERA UMA DISCIPLINA QUE DIVIDIA A NATUREZA EM SUAS PARTES PARA ANALISÁ-LAS. AO LADO, A PINTURA (E A PINTURA DE PAISAGENS) JÁ ERA UMA ATIVIDADE DE SÍNTESE PROPONDO A UNIDADE ENTRE AS EMOÇÕES (A ESTÉTICA), OS ATOS (A MORAL) E O CONHECIMENTO (A LÓGICA) ? A UNIFICAÇÃO DE TODAS AS COISAS.
TEM SIDO ASSIM DESDE A RENASCENÇA. ESSAS PINTURAS DE PAISAGENS CONTAVAM UMA HISTÓRIA IMPORTANTE QUE AS PESSOAS CONHECIAM. UMA HISTÓRIA DE CONTEÚDOS MORAIS: O CARVALHO REPRESENTAVA A CORAGEM; OS ÁLAMOS, A DOR; A SALAMANDRA, O MAL. (NO SÉCULO 21 NÃO SABEMOS MAIS LER ESSAS COISAS: CULTURA E NATUREZA SE DIVORCIARAM.)
NESTA MOSTRA, PORÉM, NÃO HÁ SÓ PAISAGENS. NEM SOMENTE PAISAGENS DA NATUREZA IDENTIFICADA COM O CAMPO. HÁ MARINHAS, NATUREZAS-MORTAS E AS PAISAGENS CULTURAIS QUE SÃO AS PAISAGENS URBANAS. É A NATUREZA DESSAS COISAS QUE ESTA MOSTRA BUSCA REVELAR. HOJE, É FATO, O MISTÉRIO DAS COISAS SE ESVAIU, ACOMPANHANDO O DESENCANTAMENTO DO MUNDO. SE HÁ UMA IMAGEM EXATA DE COMO SE SENTE O HOMEM CONTEMPORÂNEO DIANTE DAS COISAS (E DAS "VELHAS" PINTURAS DE PAISAGEM) SÃO ESTAS PALAVRAS DE FERNANDO PESSOA: "O ÚNICO SENTIDO OCULTO DAS COUSAS/É ELAS NÃO TEREM SENTIDO OCULTO NENHUM [...] AS COUSAS NÃO TÊM SIGNIFICAÇÃO, TÊM EXISTÊNCIA. /AS COUSAS SÃO O ÚNICO SENTIDO OCULTO DAS COUSAS".
E O POETA CONTINUA PARA DIZER QUE "NÃO BASTA ABRIR A JANELA /PARA VER OS CAMPOS E O RIO./NÃO É BASTANTE NÃO SER CEGO/PARA VER AS ÁRVORES E AS FLORES./É PRECISO TAMBÉM NÃO TER FILOSOFIA NENHUMA." O POETA RESUME ASSIM, SEM DIZÊ-LO, A HISTÓRIA DA ARTE DA PINTURA DE PAISAGEM, UMA HISTÓRIA DA PASSAGEM DA ARTE COM FILOSOFIA PARA A ARTE SEM FILOSOFIA. ESTA EXPOSIÇÃO ? A SEGUNDA DE QUATRO MOSTRANDO A COLEÇÃO DO MASP SOB NOVO ÂNGULO — É OCASIÃO PARA REAPRENDER A VER ESTE GÊNERO CENTRAL DA ARTE OCIDENTAL E DESAPRENDER OUTRAS TANTAS COISAS.
TEIXEIRA COELHO, CURADOR DO MASP.
| Exposição | MASP-60 ANOS APRESENTA A NATUREZA DAS COISAS |
| Realização |
MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand |
| Local |
MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand Av. Paulista, 1578 - Cerqueira César - São Paulo - SP |
| Estacionamento |
Garagem Trianon - Pça. Alexandre Gusmão Progress Park - Avenida Paulista, 1636 |
| Abertura | 24 de abril |
| Período | A partir de 24 de abril |
| Horário |
terça-feira a domingo e feriados, das 11h às 18h; quinta-feira até 20h. A bilheteria fecha com uma hora de antecedência. |
| Ingresso | R$ 15 (inteira) e R$ 7,00 (estudante), gratuito para menores de 10 anos e maiores de 60 anos. |
| Dia Gratuito | Todas as terças-feiras entrada gratuita até as 18:00 horas |
| Informações ao público | Para informações gerais (11) 3251 5644 |
| Serviço Educativo | Agendamento de grupos (escolas e outros) 2ª a 6ª das 9h00 às 17h00 - (11) 3283-2585 |
| Ass. Imprensa |
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As obras foram dispostas, na museografia de Daniela Thomas, de modo a celebrar o diálogo artístico entre as diversas tendências ao longo do período. "Em arte, o tempo não é uma linha horizontal que segue sempre em frente, cada etapa posterior superando a anterior. A palavra-chave em arte é enquanto: enquanto este artista fazia isto, aquele fazia uma outra coisa; enquanto este adotava uma nova solução, aquele privilegiava a anterior", observa o curador. "É outra maneira de dizer que todos os modos da arte são contemporâneos, uns dos outros e da sensibilidade atual. Mais do que ilustrar períodos ou escolas, é esse movimento de fundo que a Coleção Itaú desenha", completa ele.
O público poderá apreciar, em um mesmo espaço, por exemplo, o irrealismo de Maria Martins ao lado do abstracionismo de Wega Nery e a renovação da gravura na obra de Maria Bonomi. Também integram a mostra gravadores gaúchos, entre os quais Bianchetti e Vasco Prado, que são exemplo claro do localismo, assim como as obras de Lívio Abramo e Clóvis Graciano. "O Moderno não é um, são vários. Todos somados, mais a reflexão sobre o conjunto, formam a Modernidade", comenta o curador.
O acervo do Banco Itaú é formado por cerca de 3.500 mil trabalhos - para a mostra foram selecionados aqueles que compõem o chamado período moderno da arte no Brasil - que são representantes de todos os movimentos da história da arte nacional, desde a era pré-colombiana. O Itaú Cultural realizou, em março de 2006, uma exposição comemorativa de seus 20 anos e promoveu o lançamento do livro homônimo Itaú Contemporâneo – Arte no Brasil 1981-2006 na Coleção Itaú, também com curadoria de Teixeira Coelho.
TEXTO DO CURADOR
ESTRATÉGIAS PARA ENTRAR E SAIR DA MODERNIDADE: Arte no Brasil 1911-1980 na Coleção Itaú
O Moderno não é um, são vários. Todos somados, mais a reflexão sobre o conjunto, formam a Modernidade. Os artistas do período não se alinharam todos numa mesma perspectiva. Alguns decidiram ingressar nessa Modernidade; outros, em algum momento, procuraram nela não entrar ou dela sair - ao mesmo tempo em que pretendiam com isso, em certos casos, ser mais modernos que os demais ou ser aqueles realmente modernos. Cada um definiu, para tanto, sua própria estratégia, na expressão que Nestor Canclini usou em Culturas híbridas para referir-se a um quadro cultural mais amplo da América Latina mas que não é dela apenas.
Esses intentos organizam-se aqui em cinco grupos, embora várias obras transitem por mais de um deles. Moderno Clássico comporta as que constituem o imaginário consagrado daquilo que, aqui, foi o Moderno. A aparência simples das coisas, aquelas que, mesmo sem voltar de todo a um período anterior, não entraram plenamente na Modernidade. Depois, Compromissos com o local reúne as obras que quiseram sair da primeira Modernidade indo adiante, num momento em que declinava, senão o impulso Moderno, pelo menos o do inicial Modernismo.
Em seguida (melhor dizer: paralelamente), Poesia e irrealismos contém as que assumiram, sempre na nova chave, ainda mais liberdade com o real e sua representação do que as anteriores. E Abstrações, em três modos, aponta para as estratégias finais da Modernidade em direção a uma outra coisa que surgiria na década de 60 e desaguaria na pós-modernidade, no contemporâneo do qual alguns casos se vêem numa coda à exposição a título de ilustração da passagem ocorrida.
Em arte, o tempo não é uma linha horizontal que segue sempre em frente, cada etapa posterior superando a anterior. A palavra-chave em arte é enquanto: enquanto este artista fazia isto, aquele fazia aquilo; enquanto este adotava uma nova solução, aquele privilegiava a mesma anterior. É outra maneira de dizer que todos os modos da arte são contemporâneos, uns dos outros e da sensibilidade atual. Mais do que ilustrar períodos ou escolas, é esse movimento de fundo que a Coleção Itaú desenha.
Teixeira Coelho
ESTRATÉGIAS PARA ENTRAR E SAIR DA MODERNIDADE: Arte no Brasil 1911-1980 na Coleção Itaú.
Mostra com 135 obras de 74 artistas brasileiros produzidas entre 1911 e 1980, todas integrantes da Coleção Itaú. Abertura para convidados em 27 de fevereiro (dia 28 para o público). Em cartaz até 18 de maio.